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quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Henry Miller, O Sorriso aos Pés da Escada, 1947.

o que nós somos - 'ninguém'! E ao mesmo tempo, 'toda a gente'. Não é a nós que eles aplaudem, mas a eles próprios. Meu velho, tenho de me ir embora, mas antes deixa-me dizer-te uma pequena coisa que aprendi há pouco... Sermos nós próprios, unicamente nós próprios, é algo de extraordinário. Mas como chegar a isso, como alcançá-lo? Ah! eis o truque mais difícil de todos. Difícil, exactamente, porque não envolve esforço. Tentas não ser isto nem aquilo, nem grande nem pequeno, nem hábil nem desajeitado... estás a perceber? Fazes o que te vem à mão. De boa vontade, bien entendu. Porque nada há que não tenha a sua importância. Nada. Em vez de risos e aplausos recebes sorrisos. Pequenos sorrisos de satisfação - e é tudo. Mas é justamente o próprio 'tudo'... mais do que alguém pode pedir. Fazendo o trabalhinho sujo, alivias as pessoas dos dos seus fardos. Isso torna-as felizes, mas a ti torna-te ainda mais feliz, compreendes? É claro que deves fazê-lo sem ostentação, por assim dizer. Nunca deves mostrar-lhes o prazer que te dá. Se te deixas apanhar, se te descobrem o segredo, estás perdido. Chamar-te-ão egoísta, faças por elas o que fizeres. Podes fazer tudo por elas - chegares mesmo a matar-te de trabalho - enquanto não suspeitarem que te estão a enriquecer dando-te uma alegria que nunca poderias dar a ti próprio."



Agustina Bessa-Luís, Jóia de Família, 2001.

 "A esperança é uma forma de sorriso. Nós dispensamos uma gratidão especial a quem nos faz rir, porque isso anuncia uma esperança. Os espectáculos de alegria, eróticos e lúdicos, dão às pessoas uma noção de que se está a seguir uma conduta primitiva, o sexo e o tempo que lhe é favorável, o lugar e a oportunidade. Por isso parecem não obedecer a um comportamento maduro, mas à concordância básica com os seres humanos com quem partilhamos uma ordem comum."





terça-feira, 27 de março de 2012

F. Nietzsche, A Origem da Tragédia, 1872.

com base neste conhecimento que temos de entender a tragédia grega como sendo o coro dionisíaco que se extravasa, de forma contínua e sempre renovada, num mundo apolíneo de imagens. Aquelas partes corais, com as quais a tragédia se encontra entretecida, são portanto de certa maneira o regaço materno de todo o chamado diálogo, isto é, de todo o mundo cénico, do drama propriamente dito. Em vários e sucessivos extravasamentos, este solo primordial da tragédia irradia aquela visão do drama: visão essa que é em absoluto um fenómeno onírico, logo de natureza épica, representando porém, por outro lado, enquanto objectivação de um estado dionisíaco, não a redenção olímpica na aprência mas, inversamente, a fragmentação do indivíduo e a unificação deste com o Ser primordial. Assim, o drama constitui a simbolização apolínea de formas dionisíacas de conhecimento e repercussão (...)"

Aristóteles, Poética, Século IV a.c..

"O mito é o princípio e como que a alma da tragédia; só depois vêm os carácteres. Algo semelhante se verifica na pintura: se alguém aplicasse confusamente as mais belas cores, a sua obra não nos comprazeria tanto, como se apenas houvesse esboçado uma figura em branco. A tragédia é, por conseguinte, imitação de uma acção e, através dela, principalmente, imitação dos agentes."

domingo, 30 de outubro de 2011

Arnold Schoenberg, Harmonia, 1949.

"(...)O aluno aprenderá a conhecer a única coisa que é eterna: a mudança; e o que é transitório: a existência. Dar-se-á conta, assim, de que muito do que se tem tido por estética - ou seja, por fundamento necessário do belo -, não está sempre alicerçado na essência das coisas."

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Thomas Mann, Doutor Fausto, 1947. Parte II

"Todos desataram a rir, incluíndo Adrian que, no entanto, conservava no teclado as mãos cerradas, inclinando a cabeça por cima delas. - Oh P.!, tu és muito burro! - disse B. - Ele improvisava. Será que não consegues compreender isso? São coisas que ele inventou de um instante para o outro. - Como é possível inventar de uma só vez tantos tons, à direita e à esquerda? - defendeu-se P. - E como pode ele afirmar que não é nada, embora toque aquilo? Não se pode tocar o que não existe. - Pode-se, sim - replicou B. conciliadoramente. - É possível tocar o que ainda não existe."

sábado, 7 de maio de 2011

Eterium - Composição para as telas de Paulo Teixeira Lopes

...Para ouvir o tema para a tela "Vida" existem duas possibilidades: ao vivo (tela e música!) no dia 14 no Museu Teixeira Lopes em Vila Nova de Gaia, nesse museu onde entre outras obras está a famosa estátua "Verdade" em homenagem a Eça de Queiroz (Lisboa, Rua do Alecrim); ou no meu sítio do MySpace. Faltava este tema para o DVD, à venda com o livro Eterium, lançado no dia 14 de Maio de 2011. Usei guitarra com afinação especial e slide, contrabaixo (percussões, arco e pizzicato), berimbau de boca... e uma pandeireta! Tudo improvisado...!

Eterium - Composição para as telas de Paulo Teixeira Lopes


Dando continuidade à homenagem aos nossos progenitores, meus pais e pais do Paulo Teixeira Lopes, decidi aventurar-me por outros instrumentos da minha predilecção, como o cavaquinho, ...e neste caso, a improvisação foi mais determinante... Ao conceptualizar este tema musical lembrei-me do fascinante documentário de Tony Gatlif, Latcho Drom, sobre os ciganos. Os ciganos instalados no norte de França, reúnem-se para uma oração à sua santa, apenas os homens músicos, e ficam largos minutos a improvisar um tema em ad libidum, que nunca chega a acelarar ritmicamente... Se no meu tema o faço... nessa altura já estou com os ciganos de leste europeu...

Eterium - Composição para as telas de Paulo Teixeira Lopes


Como quarto tema a gravar, voltei a um tema original que me ocorreu quando andava a gravar o cd dos Monte Lunai, inspirado nas suites de Bach, que andava então a estudar. Não é um tema fácil de interpretar e provavelmente não está fechado...

Eterium - Composição para as telas de Paulo Teixeira Lopes


Neste ponto, decidi descansar o meu contrabaixo e fixar música com outros instrumentos e texturas, a partir do conceito da tela em questão, o que teve como consequência uma gravação mais improvisada. Toquei guitarra folk, flauta de cana com sistema bisel, waterdrum e um pau de chuva que a minha irmã me ofereceu.

Eterium - Composição para as telas de Paulo Teixeira Lopes


Segundo tema musical que fiz para o Eterium, porventura a tela principal... Será que a música também é a principal? A ver vamos...

Eterium - Composição para as telas de Paulo Teixeira Lopes

Primeira música feita para o Eterium, ideia musical original, a propósito da morte do mosquito no "Agora eu era...". Mais recentemente ocorreu-me a malha em pizzicato, e quando juntei em ciclos, deu origem ao tema musical, agora mais completo, que por sua vez deu origem a uma nova tela nesta obra do meu amigo Paulo.

Composição para AERO

AERO PINK

Video que inspirou o tema musical principal da instalação AERO, recente composição da Mirjam para a qual fiz a música.

É possível ver (e ouvir) os restantes videos desta composição quer no sítio da Mirjam, quer aqui para ligações mais lentas.

Adorei fazer este trabalho e mal posso esperar por começar a dar som à próxima composição.